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Injustiças do Brasil

Chuvosos ou ensolarados, assim são os dias. A rotina do acordar,
tomar aquele chocolate quente, o pão na chapa com queijo, o 5:30h da manhã. O percurso, o trabalho e a faculdade, poucas coisas mudam.
Quando a mudança chega, nos sentimos invadidos e transformados.
Épocas que passam, pessoas que chegam, alegrias que iluminam.
Injustiças.
Um belo dia, porém chuvoso, acordei no micro ônibus. Era uma revolta,
uma angústia pela chegada, uma discriminação que acontecia. E eu só percebi um tempão depois...
Um senhor entrou no ônibus e o banco reservado para idosos estava ocupado. No entanto, esses meios de locomoção intermunicipais só tem um banco para “pessoas especiais” e esse banco, fica antes da catraca. Se o Sr. passasse a catraca, teria que pagar, se ele não passasse, ficaria em pé, porque o cidadão sentado não levantaria, ele também era idoso.
O motorista começou a bater boca com o idoso. O idoso queria sentar, o motorista mandou ele descer. E ficou um bate boca horrível, o pessoal querendo chegar no trabalho, alguns reclamando da falta de respeito, outros nem ligando pra nada. Foi horrível vivenciar tudo aquilo!
- Se não tem banco para o Sr. sentar, tem que pegar outro ônibus!
- Mas eu tenho direito de pegar o ônibus que eu quiser!
- O Sr. tem que pegar o ônibus no terminal, porque nesse micro não tem lugar!
- No entanto, meu caro motorista, eu moro aqui e eu não posso chegar até o terminal, sem pegar um outro ônibus.
- Então, o Sr. tem que ficar em pé, ou pagar e ver se alguém te dá o lugar.
- Quando você ficar velho e precisar pegar um ônibus lotado, vai saber o que eu estou passando!
O veículo só tinha uma porta, não dava nem pra entrar pela de trás, então ele ficou em pé, não pagou, não desceu, não sentou, irritou o motorista e lá permaneceu, bem do ladinho dele.
Isso é um antiética tremenda!
Todos queremos trabalhar, ter uma vida digna, para no mínimo na velhice, não precisar pegar um ônibus, mas se houver necessidade, não queremos ficar em pé! Depois de anos e anos, pagando impostos, ralando, cuidando dos filhos, netos, sustentando uma família, ter de discutir com o motorista por um simples lugar no ônibus, é barbaridade!
Infelizmente a vida é assim, cheia de injustiças. No futuro, esse motorista poderá passar pela mesma situação e só dessa maneira, dará valor para um idoso e se arrependerá do que fez.
Esse comportamento poderia levar até a um processo, pela falta de dignidade do motorista, de mandar o idoso descer do ônibus. Falta de respeito, de ética, pela sua profissão. Hoje em dia, essas injustiças estão muito presentes em nosso dia-a-dia, magoando-nos e perturbando aqueles que de alguma forma, gostariam de ajudar, mas são impossibilitados disso.
Por mais que eu tenha avisado o motorista da injustiça que cometera, nem desculpas ele pediu, e é assim que seguimos nesse país, com as desigualdades e erros dos cidadãos que sem expectativas, desistiram de cuidar e amar o Brasil.



Escrito por Mari às 09h31
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Inconscientemente erramos

Caminhei por um pouco de ar.
Parei. Tive medo.
Tudo estava escuro.
As esperava.
Muitos passavam a olhar.
Uns nem repararam a minha presença.
Comeram milho, tomaram cerveja, estavam bêbados.
Olhei para a praça.
O local merecia uma foto, aquelas de jornal. As luzes estavam baixas, os ônibus passavam com menos freqüência, os que caminhavam estavam a busca de um lar, ou de um bar.
Era sexta-feira à noite.
Ouvi um burburinho.
Dois rapazes estavam discutindo e os colegas, tentando separá-los.
Em vão, um deles jogou o outro contra um orelhão.
Eram muitas pessoas.
Nervosos, preocupados, angustiados.
Os gritos eram estarrecedores.
De longe, o que eu via eram sombras.
Quis chegar mais perto, mas mantive o controle.
Continuei a olhar, queria saber o final.
Escutei um tiro, mas não me assustei.
Os braços entrelaçados, as mentes afoitas, homens a correr.
Parecia cena de filme.
Quase um Cidade de Deus.
Eram crianças jovens, jovens crianças.
Vidas perdidas, vidas bandidas.
E ele correu.
Se escondeu.
Seguraram o mais perigoso, mas sua raiva era maior do que tudo.
Foi em direção ao outro, correu, gritou, esperneou.
O momento era de muita fúria e desespero, fiquei curiosa, mas vi os dois partirem na escuridão.
Uma escuridão duvidosa.
Qual seria o motivo?
Muitas vezes não há uma causa, nem razão para discórdias, mas mesmo assim descontamos nos outros problemas pessoais, ou falamos coisas que não devíamos falar, brigamos sem motivo, resmungamos mesmo quando tudo é perfeito e quando a gente se dá conta de que errou e se arrepende, pode ser tarde demais.
Por isso, da próxima vez que pensar em fazer ou falar besteira, antes de magoar alguém que você ama, pense e tome uma atitude consciente.


Escrito por Mari às 10h16
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