Happiness Blog


22/11/2013


Músico: quem nunca se apaixonou por um?

 

Acho que todas as mulheres que conheço já se apaixonaram um dia por um músico (se não todas, a maioria). Se eles não conquistam pela voz, conquistam pela capacidade e dom de tocar bem um instrumento ou simplesmente por sua delicadeza em fazer poesia. Confesso ter uma grande queda por quem toca violão, claro que isso vem do meu primeiro amor em formato masculino: meu pai. Ele gosta de música, toca na banda da igreja e sempre tentou me ensinar alguma coisa na área, mas não adianta, não tenho talento.

Primeiro nos apaixonamos porque eles são inalcançáveis. Estão no palco, algo que nos cria essa sensação de amor platônico. E é por isso que muitas meninas já fizeram parte de algum fã-clube, ou se não fizeram, foi por preguiça mesmo (como é o meu caso). O problema é que muitos músicos se aproveitam disso pra fazer fama com a mulherada, mas tudo bem, pelo menos eles tem esse dom da conquista, porque sabemos que alguns não são lá tão bonitos.

Creio que o meu primeiro amor platônico  tenha sido pelo Kevin Richardson, da banda Backstreet Boys, é...hahaha...foi há um bom tempo atrás (que eu me lembre). Cheguei a deixar minha mãe doida uma vez aos meus 10 anos, quando o vi nos Estados Unidos e saí feito louca correndo atrás. Coitada da minha mãe, achou que tinha me perdido na multidão. Eu tinha pôster dele no meu quarto, daqueles enormes atrás da porta. Depois de um tempo passou, como tudo passa nessa vida.

O melhor é quando você se apaixona por um músico que não é famoso, aí ele pode tocar só pra você e você pode babar a vontade. E que eles nunca saibam o quanto de verdade a gente está babando por dentro. Uma vez eu  tive o prazer de ter um fazendo música pra mim, enquanto eu cozinhava. Olha, acho que eu podia morrer ali, de tão feliz que eu estava. E nem foi amor não, foi aquele sentimento de prazer mesmo, satisfação de realizar um desejo sabe? Pois é rsrs.

E é assim que eu parabenizo os músicos, aqueles que sabem da arte de fazer música, que sabem encantar, estremecer, alegrar e suspirar.

Triste é saber que muitos não tem o seu talento reconhecido, mas se seus fãs ou simplesmente amigos admiram o seu trabalho, acredito que o caminho para o sucesso já esteja no rumo certo. Continuem  em frente!

Quem vive da arte é rei, quem faz poesia musical pra mim é artista e pra quem canta, meu muito obrigado, o prazer é nosso!

Escrito por MP às 18h06
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09/11/2013


What really matters?

What really matters? (article published in the 32nd newsletter called “Worlds of Experience” of ICYE FEDERATION www.icye.org)

 

Take the bus to go out or simply do shopping does not seem very important to me or to you, because we can do it easily. We know how to communicate very well, we can read the number or the name of the bus, we can ask people on the street when we are lost and we can manage our money.

 

 

 

I never thought about how my life would be if I couldn’t do some simple things. This is my work as a volunteer in Outward Housing (London, England): help people in need to be more independent. Some of the sweet ladies that I am working with have learning disabilities. I can see how I am important in their lives. Once a week they need help to do their shopping lists. One of them has a paralysis and she has difficulty to walk, to write, to wash her dishes, to clean her room, to cook her dinner and unfortunately she doesn’t speak.

 

 

 

Some time ago in Brazil I learned the alphabet in sign language. When I started my work with this lovely lady, I was just spelling the letters of the alphabet to her and she could write her shopping list. Now I don’t need to speak and spell the alphabet. I can spell doing the sign language and day by day I am sure that she is learning and remembering how to write her shopping list. Looks like something so ridiculous, but I can’t describe to you how happy she is when she finishes the list.

 

 

 

One of the other ladies has Down syndrome, she doesn’t care about her shopping list, because she doesn’t know how to read, but in her case I can see how important I am for her when she wants to go out. Taking the bus is something amazing for her. She can feel an important person in society, doing things that everybody does. She doesn’t care about anything, she is just proud to be there. It is interesting to see how the other people react when she is there. They smile at her and they are friendly. They really know how to respect her and the driver is always helpful. This is one of the best things to be in England, because you can be respected in the British culture.

 

Another lady has mental challenges. She has the same feeling as the other lady: to be a part of society, particularly when she is doing shopping. She knows what she wants to eat for dinner, she has preferences for milk, and she has her favourite cereal, like everybody else. And she wants to be there, doing her shopping, once a week. It is very impor tant for her to feel included; she needs to be seen as a normal person. It is just significant to sit on the bench in the corner and enjoy people’s lives. I guess “we”, considered “normal people”, forget how simple life can be if we value what really matters. I am just somebody helping them to feel better, and they just opened my eyes, they showed me colours that I didn’t know, feelings that I was wasting, songs that my ears couldn’t hear. And for you, what really matters?

 

Mariana Passos, Brazilian volunteer in the UK

Escrito por MP às 11h08
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04/10/2013


Carência de mãe

 

Junto com todas as alegrias que vieram à minha vida, veio também a visita da minha mãe, diretamente do Brasil. E eu que tinha mil planos na minha cabeça, de como agir com ela e recebê-la, percebi que às vezes nada é como nós planejamos. Para isso explico o porquê. Toda vez que visito a minha avó, percebo que ela está carente, que começa a reclamar de dores no corpo, das enfermeiras, unha encravada ou que não tem mais roupas. É meio assim também quando ficamos doentes, queremos que a nossa mãe faça a nossa sopa favorita, nos cubra, nos traga chá na cama.

Eu achava que tinha mudado por dentro e me tornado uma pessoa melhor, percebi com a vinda da minha mãe que não mudei exatamente nada. Por um lado isso me entristeceu pois achei que essa nova experiência de vida me agregaria e me ajudaria muito a crescer "espiritualmente". E por que foi que eu não mudei? Não sei, só sei que eu fiquei reclamando de um monte de coisas, do mesmo jeito que a minha avó quando recebe uma visita. Claro, eu só tinha 15 dias pra reclamar. Pensei até em pedir pra ela fazer alguma comida favorita, mas aí já era demais. Ela veio passar as férias dela comigo e eu vou pedir pra ela cozinhar?

A minha tosse voltou em Paris, não sei se pela sujeira de Paris ou se pela presença da minha mãe. Aquela carência e vontade de dizer "ai mãe to com tosse", "ai mãe, não to bem", ai ai ai ui ui ui. Eu achava que isso acontecia só com crianças, que passam o dia inteiro na escola e muito bem, mas quando vêem a mãe começam a chorar e dizem que nunca mais querem voltar naquela escola. Será que as pessoas, ou no caso eu, serei sempre uma eterna reclamona quando meus pais estiverem por perto?

É claro que em Londres eu já tenho os meus melhores amigos e eles sabem e me imitam quando começo a reclamar. Minha mãe disse que com o amadurecimento da vida eu reclamarei menos ou deixarei de ficar preocupada, ansiosa, com milhões de coisas que não tem a menor importância. Espero que seja verdade. Estou sempre lendo frases de pensadores que dizem que tudo só depende de nós mesmos. Sem a minha mãe aqui eu acho sim que me tornei uma pessoa melhor. Será que então quando eu voltar pro Brasil vou continuar sendo a mesma de antes? Só sei que não quero.

Minha mãe foi embora mas ficou comigo uma dor nas costas, que dava sinal já quando ela estava aqui. Será que é saudade porque ela se foi? Assim continuo reclamando? Não sei, só sei que quero que a dor nas costas vá embora junto com todas as aflições que sondam a minha cabeça rsrs. Afinal, minhas escolhas não dependem da minha própria pessoa?

Escrito por MP às 15h38
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03/10/2013


Amor de amigo

Não consigo expressar em fotos ou frases todas as emoções que eu tenho vivido. Às vezes dá a impressão que o peito vai explodir, de tantos sentimentos. No fundo eu até queria que fosse por causa de um amor, no formato masculino, porque eu sempre perco o chão, as palavras e todas as minhas forças quando eu gosto de alguém. Na verdade eu acho que até ganho forças quando essa paixão é correspondida. No caso do meu atual turbilhão de sentimentos, o amor veio em diversas formas, menos no sentido de um affair por um cacho daqueles de tirar o fôlego.

O amor veio em forma de um monte de gente espetacular que eu nem conheço direito mas que fez um monte de barulho na minha vida. Chegaram, a princípio, substituindo os velhos moradores da minha casa (dois), mas vieram com mais um zilhão de amigos e também voluntários como eu, trabalhando em outros projetos sociais espalhados em toda a Inglaterra. A vida é sim feita de amigos, aqueles que a gente sabe que pode contar a qualquer hora (e que eu sinto muita falta de alguns do Brasil), mas também é bom ter aqueles amigos que não falam de problemas, só de passear, comemorar e matar o tempo. Assim, dá a impressão que os problemas não existem ou, se existem, você tem um curto período pra pensar neles, porque está demasiadamente ocupado aproveitando a sua vida.

Junto com eles, aumentou o amor pelas senhorinhas do projeto que eu trabalho. A cada dia as entendo mais, a cada dia nossos laços são maiores, a cada dia elas confiam mais em mim e eu posso ver o progresso de cada uma em vários sentidos. Começa a doer já que não sei quanto tempo ainda fico lá ou quanto tempo fico em Londres (acho que aproximadamente 4 meses). Hoje comecei a falar o quanto eu estava orgulhosa de uma delas e comecei a chorar. Os dias vão ficando pequenos, o tempo passando rápido, o medo se aproximando e mais um monte de sensações estranhas.

Será que é aquela mesma sensação do namorado que eu me apaixonei e vivi uma paixão intensa nos primeiros meses e depois quando percebi que a coisa ia pro buraco, sofri com o coração na boca, porque sabia que o perderia? A diferença é que eu estou em outro país, com muita gente boa que me cativou e que eu fico receosa de nunca mais ver na vida. Esse também foi o meu sentimento quando saí do Brasil: sabia que a viagem era provisória, mas comecei a pensar que muita gente eu poderia não ver nunca mais. Na verdade acho que a vida é sempre assim, muita gente vai entrar na nossa vida e talvez sair com a mesma rapidez com que entrou. E eu sofro com isso.

Comecei a viajar, e não foi muito, mas conheci pessoas sensacionais. Não sei se essas pessoas, com o tempo, serão tão sensacionais quanto no começo. Afinal muita gente me acha sensacional, mas com o tempo, conhecendo os defeitos, já não acha tão sensacional assim. É claro que eu me acho sensacional, mas o que quero dizer é que difícil mesmo é aceitar e amar alguém diante de todos os seus defeitos. Por exemplo, na Escócia conheci um cara que parecia ser meu amigo de outra vida. Um amigo calmo, que sabe ouvir, culto, inteligente, engraçado e parceiro. Ele foi aquele amigo que você senta do lado, mesmo sem nada pra dizer, e parece que já diz tudo. Sabe como é? Alguém pode até pensar que eu tenha o olhado com outros olhos, aqueles olhos de mulher quando encontra um homem. Mas não, não foi esse o intuito, o olhar com ele era olhar de irmão mais novo, aquele que você quer ensinar, abraçar, fica orgulhosa de ver crescer e tomar suas próprias decisões.  Ao mesmo tempo, houve momentos que eu olhava pra ele não como o irmão mais novo de antes, mas como um irmão mais velho. Um cara já decidido, que sabe o que quer, que cresceu na vida e que eu quis me espelhar.

Foram apenas dois dias de amizade e foi difícil me separar dele. Por sorte ele vinha pra Londres, também de férias. Não tive dúvidas de convidá-lo pra ficar na minha casa, porque ele simplesmente me passou confiança.  Ele ficou alguns dias, conheceu muitos dos meus amigos, fizemos picnic e aprendi muito. Infelizmente hoje ele já está em sua cidade, Taipei em Taiwan, um pouco longe de qualquer lugar do mundo. É uma das pessoas que, com a distância,  vão me fazer doer o coração, pelo menos enquanto eu puder me lembrar dos bons momentos que tivemos.

Escrito por MP às 21h10
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05/07/2013


Transformar

Há alguns meses eu achava que ter paciência era apenas inspirar e respirar profundamente, antes de falar boas verdades para aquele chefe que um dia não me respeitou ou pra alguém que realmente merecia.

Hoje eu sei que essa palavra vai muito mais além. Aprendi que ter paciência é ouvir, por mais de meia hora, uma das deficientes da ONG repetir uma pergunta e eu ter que responder inúmeras vezes enquanto tento distraí-la colorindo um desenho, por exemplo.

É saber que, por volta das 18h, aquela outra senhora vai dizer que me odeia, apontar a bengala na minha direção na intenção de me ferir e eu ter que encontrar palavras doces e não reagir para que ela se acalme e finalmente me abrace pedindo desculpas.

É esperar uma delas por quase uma hora no banheiro de um restaurante, sabendo que ela não está fazendo o número 1 e nem o número 2, mas está pegando todo o papel higiênico e colocando no bolso da jaqueta, porque esse é o seu hobby.

É ter calma pra entender o que cada uma (com seu particular problema: autismo, síndrome de down, paralisia ou distúrbio) quer dizer, quando muitas vezes estão apenas emitindo sons e não palavras.

É trabalhar todos os dias com a certeza de que mais um desafio está por vir e que lidar comigo mesma é muito mais difícil do que com qualquer outra pessoa.

Aprendo, dia a dia, que essas pessoas precisam da minha paciência e que esperar aquele namorado atrasado não foi nada perto do que eu realmente tenho que esperar e aprender nesse novo mundo. E pra você que perdeu a paciência um dia, jamais se esqueça que um dia alguém pode precisar da sua.

Mais que respirar profundo é preciso definitivamente se transformar.

 

Escrito por MP às 19h06
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25/06/2013


Amor platônico

 

É engraçado ver como uma das clientes que trabalho na ONG muda de comportamento quando vamos a um café, praticamente todas as terças-feiras. Quando estamos em sua casa ela me adora e sou a melhor amiga, mas quando estamos no café ela simplesmente esquece que eu existo.

 

Tudo isso porque tem alguém que trabalha no café que capta toda a sua atenção. Ela não consegue comer rápido porque fica procurando por ele. Quando ele corresponde, ela abre um sorriso e começa a puxar assunto.  O problema é que ela tem síndrome de down e as suas palavras são difíceis de serem entendidas. Ela mistura os assuntos, fala coisas sem nexo e outras com muito nexo.

 

E esse moço, o que parece que ela está apaixonada, diz que eles são namorados. Aos demais está claro que é de mentirinha, mas pra ela talvez não. Ele a abraça, a beija na bochecha, é prestativo e então ela parece perder o chão e ficar nas nuvens.

 

Acho que é mais ou menos assim que as pessoas se sentem quando estão vibrando por alguém. Elas perdem o paladar, a fala e até deixam de ouvir o que a outra pessoa está dizendo. É como se você estivesse em alpha, em outra órbita e dimensão. Uma dimensão em que só existe você e o seu amor. Você começa a sentir gosto de algodão doce, o céu fica mais azul e o seu olhar vive brilhando, tanto que todo mundo repara.

 

Você ri sem motivo e qualquer coisa que vem daquela pessoa, qualquer pequeno gesto, enche o seu coração de alegria de uma maneira tão grande que parece que você vai explodir. Você faz coisas insanas, você chora, você cria ilusões e você sente borboletas no estômago.

 

O amor é lindo, mesmo esse platônico, pois a gente sabe que nunca poderá se realizar.

Escrito por MP às 16h00
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21/04/2013


Domingo distante

 

Depois de dois meses em Londres, posso dizer que nesse domingo eu realmente senti falta de fazer coisas que estava acostumada a fazer num domingo em São Paulo. OK, eu acordei tarde como sempre, mas não almocei o almoço da mãe ou da tia, também não fui visitar a minha avó em Sorocaba e nem pude ir ao forró de domingo.

 

Fiquei meio "borococho" porque hoje uma grande amiga fez aniversário e eu não pude estar lá pra comemorar e me divertir com ela. Ela é uma amiga que me faz rir muito e esquecer de um monte de "abobrinhas" que eu sempre coloco na minha cabeça. A gente com certeza ia "tomar umas", bagunçar e celebrar a vida. Mas eu não consegui nem falar com ela, apenas enviar um parabéns virtual.

 

Queria muito poder apertar um botão e me transferir para a festa ou pra qualquer lugar que eu quisesse estar. No ano passado, quando eu estava programando esta viagem, me lembro de ter pensado várias vezes sobre ir ou não a aniversários de amigos. E tudo que eu pude, eu fiz, porque sabia que poderia sentir falta quando estivesse realizando o meu sonho de fazer um intercâmbio.

 

Viver num lugar novo é muito atrativo, porque você pode ter milhões de coisas diferentes pra fazer. Hoje fui a um parque lindo, o Regent`s Park. Muito romântico, florido, organizado e pretendo voltar qualquer dia desses. Sentei para refletir na vida e agradecer por tudo que tem me acontecido.

 

Sinto que certas vezes coloco coisas que não existem na minha cabeça, outras coisas que realmente existem e outras ainda que eu deveria realmente me manifestar a respeito. Minha mãe  diria que às vezes "eu sou tonta", porque prefiro deixar a poeira baixar. Penso que se eu não deixar a poeira baixar posso explodir à toa e essa não é a intenção. Portanto, o dia foi de reflexão e um pouquinho de tristeza.

 

Eu sou uma pessoa muito sociável, que adora fazer amigos e confia rápido demais nas pessoas. Não sei se é da índole brasileira, mas quando digo que sou brasileira muita gente quer se aproximar, só não sei se bem ou mal intencionadas.

 

Hoje eu queria até ter ido ao cinema com meu affair, ou simplesmente assistido um filme no sofá de casa. Sabe aquele domingo preguiçoso que você só quer saber dos braços de alguém e da preguiça? O meu foi assim e doeu um pouquinho, mas sempre passa, nada como um dia após o outro.

 

Um boa noite virtual, que eu vou sonhar que estou na festa da minha amiga Maria. 

Escrito por MP às 19h23
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11/04/2013


Paciência e sabedoria

Hoje é um daqueles dias da vida que eu gostaria de sentar e chorar. Por que é tão difícil dividir a casa com outras pessoas? Por que será que algumas pessoas conseguem viver num chiqueiro? Como diria minha mãe: "vai cair o braço se você lavar a louça?" 

 

Nessa semana tivemos uma conversa super séria sobre limpeza, barulho e comida. Todos concordaram e pareciam pessoas civilizadas e sensatas, mas infelizmente após dois dias percebi que não adiantou nada.

 

A irritação começa quando você compra uma caixa de ovos, não come nenhum e todos somem da geladeira. Fui de colega em colega perguntando: "Você gosta de ovo?". Se a resposta fosse sim, eu perguntava: "Por acaso, você comeu algum meu?". E então eu fazia um mini discurso alegando que todos podem comer meus ovos ou qualquer coisa que eu tenha se me avisarem com antecedência. Afinal, eu não sou mesquinha, diferente de muita gente, que conta até as fatias do pão. Pelo contrário, fiz macarrão em quantidade pra galera e quem disse que experimentaram? Ficou na geladeira por dois dias, depois joguei fora :(. Enquanto isso, em São Paulo, meu irmão está louco pra comer meu macarrão....

 

E falando em pão, dá pra acreditar que estão comendo meu pão também? A pessoa não compra e come o meu, é muita folga não? Um outro colega percebeu que o leite dele também estava diminuindo numa velocidade muito brusca. É muito fácil se aproveitar dos outros, não?

 

Coisa que andei muito chateada também é a mesquinhez de algumas  pessoas que convivo. Se estão comendo um salgadinho não oferecem, se tem chocolate não oferecem e, se você pede, a pessoa faz aquela cara de que não queria te dar e que você provavelmente vai ter dor de barriga se comer.

 

Um dia desses uma pessoa fez uma comida pro jantar, pedi um pedaço e falaram: "cuidado, você pode passar mal". E a pessoa não riu depois de falar, entende? Então me pareceu mesquinhez mesmo! Durante 03 ou 04 dias eu vi esta mesma comida estragar em cima da pia. Ou seja, a pessoa "miguelou", não me ofereceu, compartilhou só um pedacinho e depois deixou estragar.  Eu odeio ver comida estragar. Sim, eu penso naquelas pessoas que moram em países pobres e passam fome. É um desperdício e ponto.

 

Aliás, outro dia eu estava com umas das pessoas da ONG e aconteceu algo que ela pareceu entender melhor do que uma pessoa que não tem nenhum distúrbio psicológico. Preparei o jantar e quando ela viu a comida no prato disse: "eu não vou comer porque não gosto dessa comida". Então ela jogou parte da comida no chão. Tudo bem que era um sanduíche e batatas-fritas, que ela mesmo pediu. Logo em seguida eu falei: "não faz isso, está tão gostoso....você já pensou que tem gente que daria tudo pra comer a sua comida, já que não tem nada pra comer?". Ela parou, pensou e comeu o que ainda estava no prato. Depois pediu desculpas pela atitude. Achei muito digno da parte dela.

 

Foi ela também que disse que me odiava, eu escrevi sobre isso no facebook. O episódio foi o seguinte: ela é viciada em chá de limão e pediu para um membro do staff comprar o tal chá. A pessoa não comprou e, quando fui ao supermercado, ninguém me disse que eu deveria comprar o chá. Quando voltei ela perguntou se eu tinha comprado o chá,  eu disse que não e ela disse que me odiava e que nunca mas queria me ver. Após meia hora ela se acalmou e pediu desculpas. Foi tão legal, por que será que as pessoas não são capazes de assumir seus erros?

 

Para concluir, acho que algumas pessoas não sabem viver em comunidade ou harmonia, não sabem que das 22h às 10h da manhã não é interessante fazer barulho na casa de ninguém. As pessoas precisam dormir, precisam do seu próprio tempo para se desligar da rotina diária e trabalhar no dia seguinte. Digo 10h da manhã pelo menos aos finais de semana, afinal durante a semana as pessoas acordam cedo para trabalhar. Mas no nosso trabalho por exemplo, às vezes temos que trabalhar aos sábados, ou seja, folgamos em um dia da semana. O problema é que não dá pra dormir porque às 08h já tem gente fazendo festa na sala como se fosse sábado à noite (e detalhe, meu quarto fica ao lado da sala).

 

Espero que Deus me dê muita paciência e sabedoria pra conseguir conviver com essas pessoas.

Escrito por MP às 17h56
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21/03/2013


Escolhas

 

Como é difícil compartilhar as coisas incríveis que eu tenho visto e vivenciado em apenas algumas linhas. 

 

Quis escrever há alguns dias como é diferente o estilo taxista de ser. Quem dirige a maioria dos táxis em Londres veio da Palestina, do Irã, Iraque, Paquistão ou da Índia. E o sistema funciona de maneira diferente. Você diz aonde vai e o taxista calcula o valor de acordo com a quilometragem a ser gasta. O que é muito mais ético, em vez de ficar dando voltas, como alguns taxistas brasileiros, que querem ganhar mais. O preço é fixo e pronto. Com trânsito ou sem trânsito o valor será aquele.

 

Outra coisa que acho relevante escrever é sobre o preço das roupas. Você que pretende viajar pra cá, por favor não traga 04 malas como eu: duas foram de mão, mas eram relativamente grandes rsrs, tudo isso porque eu tinha medo do frio. Traga só a sua mala de mão. Você vai encontrar coisas tão baratas, que vai ficar até com raiva de pagar caro em certas roupas no Brasil. Está vindo no inverno? Não, não passe naquela loja especialista em roupas para neve, porque ela vai ser pelo menos 10 vezes mais cara do que o preço real por aqui. Traga suas calcinhas, sutiãs, cuecas, seu chinelo havaiana e só. Aqui tem toalha barata, meia calça barata, calça barata, blusa de calor, de frio e tudo mais. E a loja pra comprar tudo chama-se PRIMARK. É como se fosse a Marisa ou a C&A, mas num preço MUITO MAIS acessível e com qualidade superior.

 

Outro dia atravessei a cidade e foi muito depressa, o transporte é mesmo excepcional. Achei um pouco caro, mas o preço vale a qualidade.  Do que mais posso falar? Hum, o frio. A sensação que tive foi que mesmo com 3 blusas de frio, nada me esquenta. Me sinto andando sem roupas. Todo mundo fala que o frio aqui é diferente, que você não passa tanto frio porque os lugares tem aquecedores. Oi? Uma ovaaaaa, você só não passa frio se tiver um carro possante e viver dentro dele, se o seu trabalho for na sua própria casa ou se você não sentir frio psicologicamente falando. Ando com duas calças e mais uma meia calça que sugeriram que eu comprasse. A meia calça é térmica e coisa e tal, mas pra mim é igualzinha a que uso no Brasil.

 

Me entristeço porque algumas pessoas que já tiveram a experiência de morar no exterior nunca compartilharam o que é realmente morar em um país de primeiro mundo. Um dos meus objetivos com certeza é compartilhar a minha vivência, os meus sentimentos, as cores que eu vejo, os cheiros que eu sinto etc. Afinal, nem todo mundo vai poder ter a mesma experiência. Mais uma vez fico triste, triste porque muita gente nunca vai saber como é ser bem atendido num hospital, nunca vai ganhar do governo a ajuda que realmente merece pra viver, nunca vai ter uma aposentadoria digna, um transporte digno de ser humano....ou seja, qualidade de vida. Aquilo que todo mundo busca pra ser mais feliz.

 

E se você tem dúvida de morar fora, eu posso afirmar com todas as minhas forças: não tenha! Será a escolha mais impressionante e surreal da sua vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por MP às 21h51
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03/03/2013


Bateu

 

Ele tem barba, nem sempre usou

Tem carisma e coração

Faz gargalhar e ser feliz

Diz que é bonita, mesmo que não

 

Abraça apertado

Sabe o que quer

Irradia amor e sinceridade

É muito mais que amizade

 

Ele passou, sem avisar

Deixou sua graça e seu respeito

Um homem de verdade

Com muito peito

 

Ela agradece e com apreço

Sente medo, isso é suspeito?

Quer ir mais perto

Contar segredo

 

E vai de longe

Chegando junto

Com pressa

Mas não tão depressa

 

Deixa saudade

Mesmo presente

É tão querido

Até bivalente

 

É feito o sapo, que se transformou

O cometa que passou

Mas o que foi que aconteceu?

A sintonia que bateu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por MP às 21h50
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Viver e não ter a vergonha de ser feliz

 

Escrever sobre uma nova experiência de vida não é muito fácil. Principalmente porque não sei por onde começar. Não sei se escrevo sobre o por quê eu quis ter uma nova experiência, meus anseios e dúvidas, ou se escrevo sobre como tudo começou e como tem acontecido. O fato é que eu escolhi um novo momento pra mim. Um momento que tem sido de aprendizado e de muita paciência. Um momento que não foi de fuga, porque eu não podia reclamar do que estava vivendo. 

 

O coração estava batendo forte, meu cantinho em casa me trazia boas sensações, meu trabalho era feito com prazer e meus pais me apoiavam em tudo. O novo chamou muita a minha atenção e, durante muito tempo, eu vi muita gente fazer intercâmbio e dizer que melhorou como ser humano. Simplesmente eu quis o mesmo pra mim. Melhorar o meu inglês, estudar mais e poder trabalhar como voluntária numa ONG ajudando pessoas que realmente precisam, seja por deficiência física ou mental.

 

Sei que não será tão fácil como pode parecer. Minha primeira semana foi de treinamento em Essex ( a 1 hora de Londres) e conheci pessoas muito especiais. Gente do mundo todo (por exemplo Japão, Taiwan, Índia, Alemanha, Uganda, Nigéria, Equador, Colômbia etc), com estilos de vida e culturas extremamente diferentes. Meu maior sacrifício até agora: o frio. Sempre fui friorenta e reclamei do frio. Hoje eu sei que nunca passei frio no Brasil. Para algumas pessoas, aqui na terra da rainha, o frio é psicológico.

 

Meu segundo sacrifício até o momento foi também acompanhar o horário britânico. Eu que nunca fui muito rápida pra fazer as coisas, principalmente pra comer, estou aprendendo a correr pra entrar no ritmo. As pessoas por aqui aproveitam realmente o seu tempo. Não gastam tempo no supermercado, fazer compras é praticamente uma maratona e quem chegar primeiro, é mais feliz rs.

 

O trabalho ainda não começou, tive uma semana para resolver questões burocráticas como abrir conta em banco, fazer as compras do mês, o registro no médico etc. Agora já estou na minha casa, que parece ser definitiva para os próximos meses. Moro em Londres, muito perto de uma estação de trem e do centro da cidade. Definitivamente uma localização que eu também gostaria de ter em São Paulo, principalmente porque o transporte aqui é muito bom. Londres tem um metrô com a mais extensa rede ferroviária subterrânea do mundo.

 

Tenho vivenciado situações engraçadas, como ajudar um equatoriano a falar com um chinês, ou tentar compreender o jeito distinto de um ugandês falar (se é que assim que devo me referir a alguém que nasceu na Uganda) ou um estoniano (que nasceu na Estônia). E assim como eu tenho que ter paciência pra falar com o estoniano, também alguns tem que ter comigo, porque não entendo uma ou outra palavra. 

 

É difícil andar numa cidade deste tamanho, com uma população estimada de 14 milhões. Esses dias fiquei receosa de sair sozinha para ir a uma casa noturna dançar, mas no fim deu tudo certo. Vou tentar escrever um post sobre isso. E que venham as aventuras pra eu poder escrever e compartilhar!

 

Muita gente não sabe, mas eu tenho esse blog há 08 anos. Não tenho uma frequência exata para escrever e ele era específico para poesias, mas agora posso explorar novos formatos, afinal inspiração não vai faltar.

 

That`s all folks! :)

 

 

 

Escrito por MP às 23h59
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17/01/2013


Me leva


Seis meses sem escrever
Sem meses sem pensar em você
Ou nele ou no outro
Ou em mim?

A angústia chegou
O tempo passou
O inesperado chega
Como posso respirar?

O ar me falta
A boca se cala
O segredo eu guardo
Já está solucionado?

Espero em silêncio
Arrumo a mala
Corro lá fora
Quero ir agora

Escrito por MP às 18h06
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20/07/2012


Meu coração

 

Eu gosto do seu olhar

Quando está me olhando
Do seu sorriso
Que vai de orelha a orelha

Gosto da sua gargalhada
Que me traz tanta alegria
De quando me chama de magrela
Mesmo que eu fique brava

Gosto quando a gente se entrelaça
Se beija, se abraça
Quando me olha profundo
Podia até acabar o mundo

Gosto do vento que vem no rosto
Quando me seguro em você
É o medo que bate na alma
É o carinho que sinto nascer

Penso em vc a qualquer hora
Abri até meu coração 
Chorei uma gota amarga
E vi que era sonho, não ilusão

Escrito por MP às 11h49
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13/07/2012


Foi assim

 

Se abraçaram sem amanhã

Se beijaram até de manhã
Ele riu um riso profundo
Daqueles de alegrar o mundo

Ficaram juntos sem fim
Viram o olhar verdadeiro
Sentiram a sensação infinita
Um gosto doce, de entusiasmar a vida

Ele fez surpresa repentina
Ensinou a dormir juntinho
E viciou a pobre menina
Era essa a sua sina?

Deu carinho e amizade
Gostou só pela metade?
Deixou em vão uma saudade
Um medo no peito, sem verdade

Fez macarrão da atualidade
Com água quente e atum
Não perdeu tempo algum
Será que era só mais um?

Escrito por MP às 18h07
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Flor morena

 

Te achei de bobeira
Caiu na minha teia
Posso ser flor morena
Azul, laranja ou lilás

Ganhei simpatia
Prosa e boa companhia
Bebi alegria
E vinho doce de outrem

Lembrei do vento gelado
Da brisa da praia
A sunga branca na areia
E do xote embriagado também

É o tempo que passa
Sorriso que não se escassa
E a lembrança boa
Da amizade que se mantém

Escrito por MP às 17h39
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Viagens, Arte e cultura

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